Querido Diário, “Meuzamigo”, “Minhazamiga” e Camaradas,
saudações!
Forte nevoeiro e bastante umidade
no ar, neste amanhecer de sétima-feira, a temperatura quando xicoburi sai para
a caminhada estava por volta dos 8ºC e que bom foi atravessar uma plantação de
milho parcialmente colhida...Lá no alto de um poste, próximo à lâmpada,
xicoburi avistei uma ave solitária, penso que era um pato, que tentava se
aquecer. Lá mais a frente, uma rápida conversa com um chacareiro que, também
como xicoburi, gosta de criar aves domésticas, contou que numa destas noites
passadas, ouviu um certo barulho das aves no galinheiro e ele foi até lá para
ver o que estava acontecendo...pois bem, se deparou com uma cobra jiboia que havia
acabado de atacar uns pintinhos, a galinha-mãe estava alvoraçada. O chacareiro
disse para xicoburi que não matou a jiboia, mas a afugentou com um bastão e
agora, fica observando se ela não retorna ao ataque, pois a jiboia pode ter
entrado em algum buraco ou cavidade próximo ao galinheiro...Bem, xicoburi penso,
que tudo isso são coisas da natureza... animais se alimentando de outros
animais; afinal, a maioria dos humanos não se alimenta de animais também?
Bem, e então, agora com céu mais azulado, um certo aquecimento e dentro de casa, xicoburi vou escrever
sobre outra coisa, realizada por alguns seres humanos contra outros seres
humanos...Escravidão.
Xicoburi penso que a escravidão
moderna é bem diferente do que era no passado. É e sempre será assim no sistema
em que vivemos: apenas uma pequena porcentagem da população consegue ascender à
classe alta. Os padrões de vida aqui no nosso lado do planeta, o Ocidental,
melhoraram tanto (às custas de outras partes do mundo) que os
"escravos" de hoje estão tão bem ou até melhor financeiramente do que
os próprios donos de escravos ou a classe alta dos séculos passados, até aqui
mesmo no nosso país.
A natureza do sistema, contudo,
não muda. Os escravos têm muito pouco controle, embora sejam constantemente
levados a acreditar que controlam tudo. Eles ainda podem ser demitidos de seus
empregos e suas vidas ainda podem ser manipuladas de diversas maneiras. Sim, e
quase tudo pode ser feito com eles. Claro, eles não podem mais ser mortos e
torturados, a menos que haja um motivo específico.
Se a elite ou os tais senhores de
escravos, por exemplo, acreditam que seu poder está ameaçado, não hesitarão em
encontrar alguma desculpa para flexibilizar suas leis e permitir que matem,
torturem ou prejudiquem de outras formas aqueles que precisam ser mortos. Xicoburi
até pensei num exemplo: revelar o verdadeiro comportamento do senhor de escravos
pode ser extremamente malvisto.
E logicamente, isso não importa o
nome que se dê ao sistema. Os escravos inventaram um sistema que não se baseia
em métodos de recompensa tão complexos e até tentaram substituí-lo por outro.
Contudo, não tiveram sucesso, e a imperfeição da humanidade é tal que a lei da
selva, onde todos tentam matar uns aos outros, ainda que minimamente, parece,
em muitos aspectos, mais adequada.
Mas, xicoburi tenho que fazer uma
pergunta: Será que ser escravo é pior do que ser senhor de escravos? Isso é
discutível. Os senhores de escravos têm seus helicópteros, barcos de “estimação”
e jatinhos, mas também precisam cuidar da manutenção do sistema. Se as
condições de vida dos "escravos" forem boas o suficiente, eles não
precisam se preocupar muito com os senhores de escravos. Mas, xicoburi pergunto
para xicoburi mesmo: Quando é que são boas o suficiente? Xicoburi respondo para
xicoburi mesmo: Xicoburi não tenho respondo e essa é a questão. E quem
interpreta e define isso? Será que igualar as condições de vida de todos torna
a humanidade melhor? As pessoas podem ser indefinidamente manipuladas por
doutrinas religiosas e todo tipo de superstição, e até mesmo levadas a
acreditar que a igualdade de direitos é indesejável.
Numa postagem tão curta como é
esta, é claro para xicoburi que não é possível mencionar todos os problemas do
mundo, mas os problemas dos senhores de escravos também vêm à tona de tempos em
tempos. Seu sistema de recompensas, baseado em dinheiro, crescimento econômico,
grandes corporações, formação de blocos, destruição ambiental e coisas do
gênero, não é particularmente sólido e é assolado por crises regularmente. Pode
haver períodos em que os senhores de escravos sejam forçados a diminuir o ritmo
por um tempo, mas eles sempre se agarram ao poder e o protegem muito bem. Cedo
ou tarde, eles retomam o controle do sistema de recompensas e podem então
continuar o jogo. E que coisa, a escravidão
de certa maneira é existente, do contrário “os senhores e as senhores”
escravagistas dos tempos atuais, já teriam aprovado a lei da tal redução de
tempo de trabalho, a tal da 6 por 1...e nem discutiriam mais se as
suas pessoas “escravas”, ops, digo, trabalhadoras teriam mais tempo livre, mais
laser e mais saúde se já estivessem desfrutando da jornada 5 por 2...
Bem, então isto é tudo para esta
postagem, xicoburi vou lanchar; pois, escravos também tem direito a se
alimentar.

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